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Como Vedanta entrou na minha aula de yoga e por que meus alunos sentem sem saber o nome.

  • Foto do escritor: Fabiana Aparicio
    Fabiana Aparicio
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Sou instrutora de yoga e mentora de professoras de yoga em São Paulo, e por muito tempo essa foi só a minha profissão. Hoje eu diria que é o lugar onde tudo o que estudei volta pra vida, em pequenas doses, quase sem que meus alunos percebam de onde vem.

Conheci o professor Jonas Masetti em 2017. Não foi uma virada de chave imediata. Em 2018 fiz um curso de Emoções com ele, e foi naquele mesmo ano que entrei pra turma regular. O que me trouxe até ali não foi curiosidade filosófica. Foi necessidade mesmo: eu precisava me conhecer melhor, entender minhas próprias emoções e, principalmente, entender como lidar com elas dentro dos meus relacionamentos. Eu vivia de corpo inteiro sem saber muito bem o que acontecia por dentro.

O que aconteceu depois foi que praticamente todas as questões que eu carregava foram se resolvendo. Não de um jeito mágico, mas devagar, sessão após sessão, aula após aula. E aí veio uma coisa curiosa: resolver as questões antigas não significou parar de ter questões. Ao contrário. Conforme fui me conhecendo mais, fui encontrando camadas mais profundas dentro de mim, os medos que ficavam escondidos atrás de outros medos, o personagem que eu tinha construído sem perceber que era personagem. Vedanta não me deu um ponto final, me deu ferramenta pra continuar abrindo portas.

Se eu tivesse que resumir o que esse estudo me deu, eu diria três palavras: bhakti, a devoção que vai crescendo devagar e sem alarde; shraddha, a confiança de que o caminho funciona mesmo quando eu não entendo tudo ainda; e viveka, o discernimento pra separar o que é passageiro do que é permanente em mim. Essas três coisas juntas foram me ancorando. E ancorar, pra quem vivia de corpo solto e mente inquieta, foi talvez o maior presente.

O curioso é que essa âncora não ficou guardada só pra mim. Ela vazou pra minha profissão sem que eu planejasse. Hoje, quando dou aula, não é só asana, não é só pranayama, não é só um momento de descontração. Tem Vedanta ali dentro, em pílulas pequenas, nascidas da minha própria experiência e não de teoria decorada. E são justamente essas pílulas que meus alunos comentam. Eles me dizem que não encontram uma aula como a minha em outro lugar. Eu acho que é porque o que ensino não vem de um manual, vem de dentro de uma jornada que ainda está acontecendo.

Essa é a parte que eu mais gosto de perceber agora: o estudo deixou de ser algo que eu faço separado da minha vida e virou o jeito como eu vivo e ensino. Cada aluna que sai da minha aula um pouco mais presente, um pouco mais em paz com o próprio corpo e a própria mente, está recebendo, sem saber, um fio do que aprendi estudando Vedanta com o professor Jonas Masetti.

Ainda tem muita camada pra abrir. Mas hoje, diferente de 2017, eu sei que não preciso ter pressa nem medo do que vou encontrar. O caminho já provou que sustenta.

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