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A diferença entre aceitar e desistir. O que o estudo da Gita me ensinou sobre isso.

Foto do escritor: Fabiana Aparicio
Fabiana Aparicio
27 de ago.
2 min de leitura

No aprofundamento do meu estudo de Vedanta, estamos já há mais de 2 anos estudando a BhagavadGita, um dos textos mais emblemáticos da Tradição Védica, sempre citado e muito mais complexo do que parece, se você já experimentou folhear algum.

E nesse estudo, há um ponto que venho percebendo com mais clareza a cada aula: é difícil demais ter a mente com as características necessárias pra alcançar o conhecimento de verdade, e o conhecimento dito aqui, é o conhecimento do Atman, da nossa natureza, objetivo de Vedanta.

Não deixar a mente ser levada pelas emoções, é uma das partes que mais me desafia. E foi justamente esse fio que puxou tudo o que refleti depois da última aula da minha turma, dentro do estudo que faço em Vedanta com o professor Jonas Masetti.

Onde isso fica mais difícil pra mim, na prática, é com meus filhos. Eles já são adultos, 18 e 21 anos, mas eu ainda faço coisas por eles que não deveria fazer. Assumo preocupações que não são minhas, no lugar de focar no meu próprio papel. Foi conversan

do sobre isso que entendi melhor o que é karma yoga: entregar mentalmente as ações e os planos, sem carregar o peso do que é do outro.

E entregar não é desistir. Essa distinção me ocupou bastante. Eu tinha dúvida se aceitar era, no fundo, conformismo disfarçado. Percebi que não. Quando um plano não dá certo, quando durmo mal e acordo sem disposição pra fazer o que tinha programado, eu aceito o resultado, mas sigo fazendo o que dá pra fazer. Conformismo para de agir. Aceitação segue agindo, só solta o apego ao resultado que eu queria. Essa foi talvez a virada mais importante da minha reflexão essa semana.

Tudo isso desemboca em bhakti, que também revi durante o mananam. Não é uma ideia filosófica abstrata sobre quem criou o universo. É levar a mente pra Ishvara em cada aspecto da vida, nas pequenas decisões do dia a dia, não só quando estou num templo ou quando preciso de alguma coisa específica. E aqui preciso ser honesta: sustentar bhakti ainda é um desafio grande pra mim. Sinto que melhorei, mas sei que tem bastante espaço pra crescer nisso.

O que fica, no fim, é que a espiritualidade não transforma ninguém de um dia pro outro. Ela funciona como um filtro, tirando aos poucos as cascas que já não servem mais. Por isso algumas pessoas mudam radicalmente e outras estudam anos sem parecer mudar quase nada: a diferença está em colocar em prática, não só em acumular conhecimento. Às vezes é só um pequeno insight que muda o jeito de pensar numa situação específica quando ela acontece. Eu sinto que ainda posso ir muito mais longe, mas também já sinto diferenças reais em mim.

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