Um sankalpa por vez

No meu estudo de Vedanta com o professor Jonas Masetti, a aula desta semana foi sobre sankalpa, a intenção firme posta em palavras. Saí dela com uma constatação simples e um pouco incômoda: eu percebo muitas coisas em mim que gostaria de mudar, mas quase sempre essa consciência fica só no mental, misturada com todo o resto, e não vira ação.
Quando vira, como por exemplo nas metas que tracei no começo do ano, acontece outra coisa: são tantas que falta intenção em cada uma. Coloco muita coisa e acabo não fazendo nada. Foi aí que a aula me ajudou. Eu entendo o sankalpa como a tradução de um propósito em uma frase, que pode valer para um período curto ou longo. Se vejo em mim traumas a limpar, comportamentos equivocados, dependências emocionais, preciso resolver isso para qualificar a mente a receber o conhecimento. O sankalpa consolida essa intenção, e assim, sankalpa por sankalpa, vou me limpando e qualificando a mente. Uma coisa por vez, e com foco.
Mas intenção sozinha não basta. Sem ação, a vontade se perde na rotina e nos afazeres, o tempo passa, e ela perde importância. Se o desejo não sai da intenção, é como se eu não tivesse feito nada, como se não quisesse de verdade. Por isso a ação, mesmo que seja só um passo de cada vez, é karma yoga: é fazer a minha parte.
E ainda tivemos uma atividade que foi compartilhar o sankalpa com todos da turma. E esse elemento faz toda a diferença. Ouvir o sankalpa de todos na turma me mostrou como ele pode ser algo simples e, ao mesmo tempo, muito objetivo. Já compartilhei desejos e dificuldades ali algumas vezes e recebi um acolhimento enorme, sem julgamento, com uma vontade real do outro em ajudar. Me sinto à vontade para falar, muitas vezes mais do que com amigos muito próximos.
Compartilhar em grupo soma a intenção de todos à minha. Declarar uma dificuldade é se vulnerabilizar, e assumir uma fragilidade é o mais difícil. Só que, depois de assumir, nada mais pode ser tão forte para nos derrubar. As pessoas e as situações que eu evitava deixam de precisar ser evitadas e podem, do outro lado, me ajudar.
É isso que levo: um sankalpa só, dito em voz alta, sustentado por um passo de cada vez.



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